Eu queria ser uma pessoa melhor. Queria ter um humor impecável, estar sempre disposto a ajudar e encontrar soluções sensatas para as adversidades que vão surgindo. Queria muito ser sereno, paciente e entender que sempre há um motivo por trás de uma cara fechada. Afinal as pessoas de boa índole e bom temperamento assim são. Não é?
Mas eu odeio. Odeio quando perguntam demais. Odeio que me toquem quando conversam comigo. Odeio falsidade. Odieo gente curiosa. Oideo calor. Ooied falar quando não quero. Deoio esperar.
Tenho raiva de motorista que não para antes da faixa de pedestre. Me irritam os pedantes e os que tem necessidade de sempre chamar atenção. Já não tenho saco pra fingir que acho tudo engraçado. Tenho pavor que mexam nas minhas coisas sem permissão. Me incomoda quando 'cavocam' o pote de margarina.
Já fiz várias considerações a respeito dos fatores acima citados e entendo que não colaboram para uma melhora significativa. Dane-se. Vou ler um livro.
Café das oito
Sunday, 11 April 2010
Friday, 9 April 2010
Wednesday, 31 March 2010
Friday, 26 March 2010
Amanhã vou ver meus amigos
Acordo todas as manhas às sete horas. Só lá pelas sete e meia que começo a pensar no quem tenho de fazer durante o dia - é o tempo pra aquecer o motor. Lembro-me do que preciso pegar nos armários e das cópias pro trabalho, do estresse e do cansaço rotineiro.
Ao meio dia, vem a mente que ainda tenho a tarde toda de trabalho e que à noite, se tiver sorte, só vou precisar ouvir a professora na faculdade. Recordo também que quando finalmente por os pés no meu quarto, ainda tenho que preparar o material para as aulas do dia seguinte.
Assim as semanas vão voando, apesar de os olhos que analisam o calendário perceberem que o mês de março ainda permanece nos calendários.
A trilha sonora segue a mesma há meses - por motivos reflexivos, diga-se de passagem. Logo o espaço de tempo gasto no ônibus transforma-se em instante de filosofia diária. Bate a consciência, a revolta, a calma, a certeza.
Extraordinariamente senti saudades essa semana. Entrei em choque, já que ando tão absorvido na rotina maçante. Por favor, por que eu sentiria saudades? Que motivos tenho pra sentir saudades? Sentir saudades de que(m)? Saudades? Até mandei uma mensagem pra um número amigo. Não para meu espanto, recebi uma responta tão cheia de saudosismo quanto a minha mensagem. Deve ser a semana, algum tipo de alinhamento planetário, o fim do mundo chegando talvez, pensei.
Então lembrei que o próximo sábado seria dia 27 e tudo ficou claro como nos dias nebulosos, meus favoritos. Acordei estranhamente disposto essa manhã e até me dei o luxo de levantar mais tarde.
Amanhã vou sair do meu mundinho, aquele que eu mesmo criei. E não importará se eu passar a noite sentado de pernas esticadas bebendo refri; não vou ligar se alguma coisa me aborrecer durante o dia; não vou lembrar se um alguém volátil me tratou com indiferença na noite anterior. Amanhã vai ser um dia bom, porque amanhã é dia de ouvir, de conversar e gargalhar. Amanhã vou ver os meus amigos. Aqueles de verdade. Aqueles que não vejo há uma eternidade. Só aqueles.
Ao meio dia, vem a mente que ainda tenho a tarde toda de trabalho e que à noite, se tiver sorte, só vou precisar ouvir a professora na faculdade. Recordo também que quando finalmente por os pés no meu quarto, ainda tenho que preparar o material para as aulas do dia seguinte.
Assim as semanas vão voando, apesar de os olhos que analisam o calendário perceberem que o mês de março ainda permanece nos calendários.
A trilha sonora segue a mesma há meses - por motivos reflexivos, diga-se de passagem. Logo o espaço de tempo gasto no ônibus transforma-se em instante de filosofia diária. Bate a consciência, a revolta, a calma, a certeza.
Extraordinariamente senti saudades essa semana. Entrei em choque, já que ando tão absorvido na rotina maçante. Por favor, por que eu sentiria saudades? Que motivos tenho pra sentir saudades? Sentir saudades de que(m)? Saudades? Até mandei uma mensagem pra um número amigo. Não para meu espanto, recebi uma responta tão cheia de saudosismo quanto a minha mensagem. Deve ser a semana, algum tipo de alinhamento planetário, o fim do mundo chegando talvez, pensei.
Então lembrei que o próximo sábado seria dia 27 e tudo ficou claro como nos dias nebulosos, meus favoritos. Acordei estranhamente disposto essa manhã e até me dei o luxo de levantar mais tarde.
Amanhã vou sair do meu mundinho, aquele que eu mesmo criei. E não importará se eu passar a noite sentado de pernas esticadas bebendo refri; não vou ligar se alguma coisa me aborrecer durante o dia; não vou lembrar se um alguém volátil me tratou com indiferença na noite anterior. Amanhã vai ser um dia bom, porque amanhã é dia de ouvir, de conversar e gargalhar. Amanhã vou ver os meus amigos. Aqueles de verdade. Aqueles que não vejo há uma eternidade. Só aqueles.
Saturday, 27 February 2010
Pensamento de domingo à noite
Finais de semana são um pouco como arcos-íris: parecem bons a uma certa distância, mas desaparecem quando se chega perto deles.
John Shirley
Tropeçando é que se aprende...
Eu tenho uma infeliz e cômica propensão a tropeçar, a derrubar coisas e a destruir objetos alheios. Às vezes me questiono se é uma piada de mau gosto que meu inconsciente me prega. Porém, de tanto bater a cabeça contra o muro - literalmente com certa frequencia - é que aprendi algumas coisitas.
Por exemplo, o ideal é não olhar só numa direção. Nariz empinado não ajuda descoordenados. Por isso é essencial olhar o caminho, os transeuntes que passam pelas laterais, os pés, de novo o caminho, os transeuntes, os pés, etc, etc.
Outra coisa que aprendi é que na hora do desastre há sempre alguém pra dar gargalhadas ou para entrar em pânico, o que não ajuda muito: quem ri, está com as mãos ocupadas segurando a barriga e quem entra em pânico, com as mãos na cabeça. Enfim, o melhor jeito e levantar por conta, limpar os joelhos e correr atrás do ônibus. Ou não correr. Podem achar que você esteja fugindo da polícia... e ligar para ela.
Quedas coletivas sempre rendem boas histórias. E ainda há a possibilidade de alguém amortecer a sua queda.
Agora, no que se trata de derrubar e quebrar objetos, não consegui aprender nada. Afinal, é difícil ser bom em tudo.
Sendo assim, aos ensopados de descoordenação, só se pode dizer uma coisa: tropeçando é que se aprende... a amarrar os cadarços e a olhar onde se caminha.
Por exemplo, o ideal é não olhar só numa direção. Nariz empinado não ajuda descoordenados. Por isso é essencial olhar o caminho, os transeuntes que passam pelas laterais, os pés, de novo o caminho, os transeuntes, os pés, etc, etc.
Outra coisa que aprendi é que na hora do desastre há sempre alguém pra dar gargalhadas ou para entrar em pânico, o que não ajuda muito: quem ri, está com as mãos ocupadas segurando a barriga e quem entra em pânico, com as mãos na cabeça. Enfim, o melhor jeito e levantar por conta, limpar os joelhos e correr atrás do ônibus. Ou não correr. Podem achar que você esteja fugindo da polícia... e ligar para ela.
Quedas coletivas sempre rendem boas histórias. E ainda há a possibilidade de alguém amortecer a sua queda.
Agora, no que se trata de derrubar e quebrar objetos, não consegui aprender nada. Afinal, é difícil ser bom em tudo.
Sendo assim, aos ensopados de descoordenação, só se pode dizer uma coisa: tropeçando é que se aprende... a amarrar os cadarços e a olhar onde se caminha.
Friday, 26 February 2010
Não quero Rosas!

"Não quero rosas, desde que haja rosas.
Não quero rosas, desde que haja rosas.
Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora
Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.
Para quê?...
Para quê?...
Se o soubesse, não faria Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?... "
Fernando Pessoa, 7-1-1935.
Fernando Pessoa, 7-1-1935.
Quero e não quero. Ou melhor, quis e não quero mais?
Mestre Fernando Pessoa, compreende nossa psique e traduz sutilmente o sentimento que percorre nossas emoções. Precisamos perder para querer? Esse humano ser inconstante...
Sunday, 31 January 2010
Monday, 18 January 2010
Imcompreensão
Ao som de Glen Hansard & Marketa Irglova.
- Tu acha que algum dia isso vai melhor? - Ana Clara tateou até encontrar as mãos quentes de Mika.
- Sim. - tremeu ao toque das mãos gélidas dela. - Acho que sim.
- Sinceridade?
- Óbvio.
- Ótimo. - Clara abriu um lindo sorriso sarcástico que ele não viu na escuridão, mas que sentiu pelo tom da voz, transformado pela travessa ironia. - Preciso admitir que tanta instabilidade às vezes me assusta mais do que me encanta. Eu já tinha me acostumado com a minha, mas isso é tão fora do ordinário, tão complexo pro meu entendimento.
Passava os dedos gentil e levemente pelos cachos ruivos que pendiam soltos enquanto escutava-a falando. Ouvir sua voz aveludada sempre encantava Mika, ao ponto de fazê-lo, diversas vezes, prestar atenção somente no som e não nas palavras. Era como se Clara falasse uma linguagem totalmente incompreensível para o cérebro, mas incrivelmente musical para os ouvidos.
- Não acha? - interrompeu ela seu devaneio.
- Depende muito do que tu disse - riu com sinceridade. Se havia uma coisa que não irritava Clara em se tratando de Mika era sua sinceridade. Ela poderia odiar qualquer coisa nele, menos a sinceridade. Crescera, como a maioria das pessoas, cercada de receios e pessoas ultracomedidas, que automaticamente diziam uma das tão conhecidas mentiras verdadeiras, que se formam para não magoar alguém após uma pergunta inocente. Sim, sinceridade era algo que a divertia.
- Já te disse como me faz bem te ter ao meu lado, Mickael? - perguntou, mais parecendo uma exclamação. - Sou eternamente grata por ter te conhecido, amigo.
- Sim... Acho que sim. - tremeu mais uma vez, agora ao estalar dos lábios de Clara em sua bochecha. A luz da lua minguante não era suficiente para que ela pudesse enxergar o vazio que preenchia os olhos negros dele.
- Tu acha que algum dia isso vai melhor? - Ana Clara tateou até encontrar as mãos quentes de Mika.
- Sim. - tremeu ao toque das mãos gélidas dela. - Acho que sim.
- Sinceridade?
- Óbvio.
- Ótimo. - Clara abriu um lindo sorriso sarcástico que ele não viu na escuridão, mas que sentiu pelo tom da voz, transformado pela travessa ironia. - Preciso admitir que tanta instabilidade às vezes me assusta mais do que me encanta. Eu já tinha me acostumado com a minha, mas isso é tão fora do ordinário, tão complexo pro meu entendimento.
Passava os dedos gentil e levemente pelos cachos ruivos que pendiam soltos enquanto escutava-a falando. Ouvir sua voz aveludada sempre encantava Mika, ao ponto de fazê-lo, diversas vezes, prestar atenção somente no som e não nas palavras. Era como se Clara falasse uma linguagem totalmente incompreensível para o cérebro, mas incrivelmente musical para os ouvidos.
- Não acha? - interrompeu ela seu devaneio.
- Depende muito do que tu disse - riu com sinceridade. Se havia uma coisa que não irritava Clara em se tratando de Mika era sua sinceridade. Ela poderia odiar qualquer coisa nele, menos a sinceridade. Crescera, como a maioria das pessoas, cercada de receios e pessoas ultracomedidas, que automaticamente diziam uma das tão conhecidas mentiras verdadeiras, que se formam para não magoar alguém após uma pergunta inocente. Sim, sinceridade era algo que a divertia.
- Já te disse como me faz bem te ter ao meu lado, Mickael? - perguntou, mais parecendo uma exclamação. - Sou eternamente grata por ter te conhecido, amigo.
- Sim... Acho que sim. - tremeu mais uma vez, agora ao estalar dos lábios de Clara em sua bochecha. A luz da lua minguante não era suficiente para que ela pudesse enxergar o vazio que preenchia os olhos negros dele.
Friday, 18 December 2009
Vazios, pseudovazios e cafeinados
Eu poderia transcrever uma definição do Aurélio - ou de outro manipulador de definições - se fosse pela minha preguiça. Mas como um bom e honesto ser humano, adoro me alongar.
Tradicionalmente e inicialmente, vazio é a ausência de algo. Pode ser concreto ou 'coisa da tua cabeça'. Tem gente que sente vazio financeiro, vazio estomacal, vazio existencial, vazio de gente. Lugares ultracomuns.
Tem gente que depois dos 11 opta em ser oca. Outros milhares de milhão são programados para irem murchando a medida que perdem os olhos de bebê. Há ainda os que se esvaziam nos vícios.
Tem também os pseudovazios. Aqueles que ficam perambulando nos pensamentos, sonhando acordados e que, ao tentar dormir, são dominados por uma torrente de ideias e planos a serem realizados daqui um tempo; que acordam pela manhã e nem lembram dos planos da noite mal dormida. Doce ironia.
E tem os vazios cafeinados que, já que mudam de lugar as teias da personalidade e não conseguem mudar a rotina, bebem café e tentam preencher o vazio com autofilosofia.
Bueno, vou terminar o café antes que fique frio demais.
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